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Diversificação das Aplicações do Nióbio: de Baterias a Turbinas Eólicas

O nióbio amplia sua presença em baterias de recarga ultrarrápida e em estruturas de turbinas eólicas, impulsionando a diversificação de aplicações e a transição energética.

O nióbio é um metal de transição que, em sua forma mais pura, se apresenta dúctil e altamente resistente à corrosão. Diferentemente do que muita gente imagina, ele não é extraído pronto da terra. Sua produção parte de minérios abundantes na crosta terrestre, como o pirocloro e a columbita-tantalita, e passa por mais de 160 etapas de processos químicos e metalúrgicos até se transformar nos produtos utilizados pela indústria.


É justamente por meio desses processos que o nióbio ganha a capacidade de aprimorar o desempenho de outros materiais. Sua trajetória está historicamente ligada à siderurgia, que continua sendo o principal mercado de destino da CBMM. Ao mesmo tempo, a empresa tem ampliado o uso do metal em segmentos ligados à eficiência energética e à descarbonização.

O papel do nióbio na siderurgia e sua contribuição para estruturas mais eficientes
Nióbio em turbinas eólicas: resistência e durabilidade para energias renováveis
Quando se fala em energias renováveis, as torres eólicas são um bom exemplo de como o nióbio entra na equação. Nos aços de baixo carbono microligados usados nessas estruturas, o metal contribui para maior resistência à fadiga e à fratura, além de oferecer tenacidade mesmo em temperaturas extremas e melhor soldabilidade.

Na prática, isso permite projetar torres mais altas e mais leves, com chapas de menor espessura. O resultado é uma redução nos custos de transporte e logística, sem abrir mão da segurança e da durabilidade necessárias para equipamentos que operam por décadas em condições desafiadoras.

A CBMM destaca que o nióbio apoia a criação de soluções energéticas mais eficientes. Em turbinas eólicas, a aplicação em ligas estruturais ajuda a manter a integridade dos componentes expostos a ambientes severos, como umidade, variação térmica e esforço mecânico contínuo. A combinação de resistência e leveza relativa dos aços microligados com nióbio alinha-se à necessidade de estruturas que suportem cargas elevadas por longos períodos, com menor necessidade de manutenção e reposição de material.

Essa aplicação integra-se à agenda de transição energética, na medida em que equipamentos mais duráveis e eficientes reduzem o consumo de recursos ao longo do ciclo de vida e favorecem a geração de energia a partir de fontes renováveis.
Baterias com nióbio: recarga ultrarrápida, segurança e vida útil estendida Uma das frentes de maior avanço é o uso do nióbio em baterias de íons de lítio. O óxido de nióbio é o coração da tecnologia XNO®, da Echion Technologies, produzida pela CBMM em Araxá. Esse material de ânodo permite carregamento seguro em menos de 10 minutos e mantém alta densidade de energia mesmo em temperaturas extremas.
 

Em 2024, a CBMM, em parceria com a Toshiba Corporation e a Volkswagen Caminhões e Ônibus, apresentou o primeiro ônibus elétrico a utilizar bateria de íons de lítio com adição de nióbio. A demonstração mostrou carregamento completo em tempo inferior a dez minutos, em condições de segurança.

A CBMM mantém investimentos consistentes em tecnologia. O Programa de Tecnologia, que reúne mais de 200 projetos, recebe anualmente entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões. A companhia projeta crescimento acelerado no segmento de baterias nos próximos anos e tem como meta alcançar capacidade de 20 mil toneladas de óxido de nióbio para baterias até 2030. A meta corporativa é que produtos não siderúrgicos representem 30% da receita até 2030.

O nióbio também aparece em pesquisas de baterias de nióbio-grafeno, com potencial de ciclos de vida prolongados e operação em faixas de temperatura mais amplas. Essas iniciativas estão alinhadas à necessidade de armazenamento de energia renovável e à eletrificação de frotas comerciais e industriais.

Contribuição para a descarbonização e a transição energética A CBMM integra a sustentabilidade à estratégia de negócios. A companhia estabeleceu meta de neutralidade de carbono nos escopos 1 e 2 até 2040 e anunciou, em 2025, a meta intermediária de reduzir em 30% a intensidade das emissões desses escopos até 2030, em relação ao ano-base 2022. Nos últimos dez anos, já reduziu em 55% as emissões diretas e indiretas (escopos 1 e 2).

As soluções com nióbio contribuem para a descarbonização em duas frentes. Na produção de aços mais resistentes e leves, há redução no consumo de matéria-prima e de energia ao longo do ciclo de vida das estruturas e veículos. Nas baterias, a recarga rápida, a maior vida útil e a segurança favorecem a adoção de veículos elétricos e sistemas de armazenamento, que por sua vez apoiam a integração de fontes renováveis à matriz energética.

O portfólio da CBMM inclui ferronióbio standard, ligas de grau vácuo, óxidos de nióbio grau bateria, nióbio metálico e outros produtos. Cada um deles atende a demandas específicas de desempenho e eficiência. A companhia opera com capacidade produtiva de 150 mil toneladas de produtos de nióbio por ano, superior à demanda atual do mercado global, o que permite responder ao crescimento esperado em novas aplicações.
O nióbio, por suas propriedades intrínsecas e pelo desenvolvimento tecnológico associado, passa a ocupar espaço em soluções que vão da estrutura de uma turbina eólica à química de uma bateria de alta performance. Essa trajetória de ampliação de usos, conduzida com base em projetos de pesquisa e em capacidade industrial instalada, constitui o eixo central da estratégia de novos negócios da CBMM no contexto da transição energética.
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